sexta-feira, 15 de julho de 2011

Desvendando a Benignidade



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Em continuação aos nossos estudos sobre o Fruto do Espírito, analisaremos hoje a benignidade. Em Gálatas 5.22, o termo usado para “benignidade” é “chrestotes”, que em Romanos 2.4 é traduzido como “bondade”, mas também se relaciona com “excelência moral” e “gentileza”. A palavra “chrestotes” procede de “chrestos”, que pode ser traduzida como “suave” (Mateusm 11.30) ou “excelente” (Lucas 5.39). Jesus possuía todas essas características, e aqueles que estão verdadeiramente unidos a Cristo também devem ser acompanhados de tais frutos.

O interessante é que o termo grego para benignidade (chrestotes) se relaciona com a palavra “chraomai”, que significa “tratar” (Atos 37.3), “usar” (Atos 27.17) “aproveitar” (1 Coríntios 7.21) ou “servir” (1 Coríntios 9.15). Assim vemos que a benignidade é um dom que se expressa na relação do homem com seu próximo, de modo que estamos sempre preparados para tratar as demais pessoas com educação e respeito, sendo usados e aproveitados pelo Senhor no ato de servir. Essa palavra grega (chraomai) também traz a ideia de “fornecer aquilo que é necessário”. E o que é mais necessário para o homem do que a Palavra de Deus? Dessa maneira, vemos que o verdadeiro fruto da benignidade se expressa principalmente no ato de ministrar o Evangelho àqueles que não conhecem a Deus, porque sabemos que a “criação anseia ardentemente pela revelação dos filhos de Deus” (Romanos 8.19). Assim, vemos que a maior expressão de bondade que podemos manifestar a alguém é pregar a Palavra de Deus, que funciona como um rio que jorra para a vida eterna (João 4.14), de modo que todos que deles beberem e nele permanecerem, viverão eternamente com Cristo.

A palavra grega “chrestotes” (benignidade) também se vincula ao termo “cheir” que significa “mão” (Mateus 3.12) e traz a ideia de “instrumento”. Ou seja, a pessoa que expressa o fruto da benignidade é usada por Deus como um instrumento para abençoar aqueles que carecem da revelação do Evangelho. Além disso, o homem benigno também é um canal (cheo) através do qual flui a Palavra de Deus, e com ela vem uma tempestade (cheimon) que prova aquele que recebe a Cristo, para que aprenda a estar edificado sobre a Rocha (Mateus 7.25). Muitas vezes, a palavra do homem benigno (chrestos) traz tempestade (cheimon) para a vida de quem a escuta. Todavia, esta tempestade irá tornar a pessoa mais forte, pois “a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5.3-4). O homem benigno (chrestos) trará tempestade (cheimon) se ela for necessária para edificar a vida de alguém. Deus, que é benigno (chrestos), traz tempestade quando necessário, como lemos em Deuteronômio 8.3: “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram, para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem”. Ser benigno é falar a verdade, ainda que seja uma palavra dura, pois somente assim alguém pode ser verdadeiramente curado e edificado.

Além disso, o homem benigno (chrestos) anuncia o abismo (chasma) que há entre o céu e o inferno, de modo que as pessoas possam buscar a Deus enquanto ainda há tempo (Isaías 55.6).

Em hebraico, um dos termos equivalentes a benignidade é “tob”, como em 2 Crônicas 10.7. Essa palavra hebraica possui uma gama de variações que nos ensinam profundas verdades espirituais sobre a benignidade. O homem benigno (tob) acumula (tabbur) para si galardões nos céus, pois há regozijo (te’eb) nas regiões celestiais pelas almas que ele alcança, de modo que se torna uma pessoa agradável a Deus (tab’el). Por isso, suas vestes são mergulhadas (taba’) no sangue de Cristo e tingidas (tabul) no vermelho carmesim do sangue do Cordeiro. Dessa maneira, o homem benigno consegue abater (tebach) o inimigo, pois agiu como um guardião (tabbach) da fé que está fundado (taba’) sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, que é Jesus Cristo (Efésios 2.20). Assim, o benigno possui em sua vida o selo (tabba‘ath) da eternidade e é celebrado (tabbath) por Cristo com um servo bom (tob) e fiel, por isso digno de entrar no descanso do Senhor (Mateus 25.23).

Busque o fruto da benignidade, pois ele fará com que você se torne, a cada dia, mais parecido com nosso Deus, portanto, mais próximo de Cristo.

::Daniel Lopez

Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Desvendando o original - Longanimidade



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Seguindo nosso estudo sobre os frutos do Espírito, abordaremos agora o quarto fruto: a longanimidade. Em grego, o termo para longanimidade é “makrothumia”, palavra relacionada à paciência e à temperança. Esse substantivo grego é comporto por duas palavras: “makros” e “thumos”. O primeiro termo, “makros”, traz a ideia de “longo” ou “distante”. A raiz de “makros” é “megas”, que pode significar “grande”, “maravilhoso” ou “elevado”. O segundo termo, “thumos”, significa “ira”, “furor”, “indignação” ou “cólera”. A raiz de “thumos” é “thuo”, que significa “respirar intensamente”, “sopro”, “fumaça”, e por implicação, “sacrificar”, “imolar” e “matar”. Dessa maneira, vemos que a palavra grega para “longanimidade” (makrothumia) se refere à pessoa que possui a virtude de ser “tardio em irar-se”, em demorar muito a chegar a irritar-se. Relaciona-se, portanto, a uma mansidão.

Todavia, se analisamos a raiz da palavra “makrothumia”, vemos que ela também pode significar “grande sacrifício”. Isso porque se requer um grande esforço para buscar essa longanimidade que só pode ser concedida pelo Espírito Santo. Além disso, foi através do grande sacrifício de Cristo que tivemos acesso a esse dom, que não é muito praticado ou buscado atualmente. Hoje, em uma época em que o individualismo impera na sociedade contemporânea, valoriza-se, por exemplo, o dom de variedade de línguas, porque traz notoriedade e destaque para aqueles que o manifestam. A longanimidade, porém, não é muito valorizada como critério para descobrirmos se alguém está em comunhão com Deus.

Talvez seja por isso que ocorram tantos escândalos, pois pessoas que manifestam dons estão sendo vistas como santas, enquanto, na verdade, são os frutos que devem usados para saber se alguém está conectado ou não com Cristo (João 15.1-4).

Em hebraico, o termo usado para longanimidade é “orek”, palavra que está relacionada à ideia de “ser longo”, “ser eterno”. Ou seja, a longanimidade é um dom que evidencia que a paciência da pessoa é longa, e isso é um sinal de quem está em verdadeira comunhão com o Eterno, de quem está caminhando em direção à vida eterna. Veja o que está escrito em Gênesis 6.3 conforma a Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “Não deixarei que os seres humanos vivam para sempre, pois são mortais”. Ou seja, o homem natural, que não conhece a Deus nem os dons do Senhor, nunca poderá viver eternamente, pois não conhece o dom que coloca o homem em contato direto com o que é eterno: a longanimidade.

A raiz de “‘orek” é “‘arak”, que significa “alongar”. Quando vivemos uma verdadeira comunhão com Deus, Ele prolonga nossa existência, pois aquele que crê no Senhor, ainda que morra, viverá (João 11.25). Jesus foi preparar um lugar onde teremos uma longa e próspera comunhão com ele, pois onde Cristo estiver estaremos eternamente com Ele (João 14.1-3).

Outro termo relacionado a “’orek” é “rak”, que significa “tenro”, derivado de “rakak”, que significa “suavizar” ou “amolecer”, “fraco” (2 Samuel 3.39), “inexperiente” (1 Crônicas 29.1).

Paulo nos deixou bem claro como isso funciona quando disse: “Quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12.10). Aquele que recebe de Deus o dom da longanimidade (‘orek) descobre que a verdadeira vitória está em reconhecer que somos fracos (rakak) e inexperientes, pois assim abrimos margem para que Deus possa agir em nossas vidas e ensinar-nos o que é realmente bom, perfeito e agradável (Romanos 12.2).

Outra palavra derivada de “‘orek” é “‘arek”, significa “lento”. Foi por não conseguir ser lento em agir, mas decidir resolver rapidamente o problema de sua própria maneira, que Abraão engravidou Agar e Saul fez um sacrifício que não foi aceito por Deus (1 Samuel 13.13). A longanimidade (‘orek) não somente torna o homem lento (‘arek) em irar-se, mas também o torna capaz de ter fé suficiente para esperar a ação divina.

A palavra “‘arukah” também é derivada de “‘orek” e significa “reparar”, no sentido de “prolongar a vida”. A longanimidade é capaz de reparar maldições e restaurar vidas. Foi através da longanimidade (‘orek) de Cristo, que suportou com mansidão todas as aflições que lhe sobrevieram, que obtivemos a salvação e foi restaurada (‘arukah) a comunhão de Deus com o homem.

O termo “morek”, que significa “desmaiar”, também é derivado de “‘orek”. Qual é a relação entre longanimidade é “desmaiar”? O significado humano dessa relação está no fato de que a palavra hebraica para longanimidade (‘orek) se relaciona com o termo hebraico para o órgão reprodutor masculino (yarek), pois tem forma alongada. E o homem, quando é atingido em suas partes íntimas, corre o risco de desmaiar. Todavia, o significado espiritual é mais profundo. Quando o homem recebe de Deus o dom da longanimidade, ele aprende a buscar o Senhor e ter paciência e esperança suficientes para aguardar a resposta. Por isso, aquele que é longânimo acaba tendo um encontro com o Senhor, assim como os discípulos que esperaram diligentemente durante dez dias no cenáculo até que foram visitados por uma poderosa manifestação da glória divina. E quando o homem encontra com Deus, ele desfalece, pois não pode suportar o poder da presença divina. Percebam que João possuía essa esperança de ter um encontro tremendo com Deus, de modo que o conheceria não em sua forma esvaziada (Filipenses 2.6-7), mas assim como Ele é, na plenitude de sua glória. Veja como João manifesta sua longanimidade em 1 João 3.2-3:

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro”. Em virtude de sua longanimidade, João estava esperando encontrar com Jesus e conhecê-lo como ele é de verdade. João perseverou tanto em sua longanimidade que ele acabou encontrando com o Senhor (Apocalipse 1.10-18). O que aconteceu com João quando preservou sua longanimidade (‘orek) e teve um encontro poderoso com o Senhor? Ele desmaiou (morek). Quem tiver longanimidade vai acabar encontrando com Deus assim como o Senhor é, e acabará desmaiando diante da glória do Eterno. Mas Deus o levantará pelas mãos e revelará mistérios que estão em oculto que não conhecemos (Mateus 6.6).

Por fim, temos a palavra “rechov”, também relacionada a “‘orek”, que significa “abrir” ou “rua”. Através da obra redentora de Cristo, que com longanimidade foi fiel até a morte, e morte de cruz, Jesus abriu um caminho (rechov) entre o céu e a terra. Ele mesmo é esse caminho (João 14.6), e quem recebe de Deus o dom da longanimidade (‘orek), acaba conhecendo essa rua (rechov) que segue em direção à eternidade.

Busque o dom da longanimidade, pois assim você compreenderá, através de Jesus Cristo, o que é ter uma vida longa e eterna na presença do Altíssimo.

::Daniel Lopez

Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desvendando a Paz



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Continuando nosso estudo sobre o fruto do Espírito, analisaremos hoje o terceiro fruto: a paz. O interessante é que a ordem da lista de frutos colocada por Paulo em Gálatas 5.22 traz algumas coincidências. O primeiro fruto listado é o amor. Em hebraico, “amor” é ‘ahav, e o número um é ‘ahad. Ambas as palavras trazem a ideia de “estar unido”. O terceiro fruto é a paz. Em hebraico, “paz” é shalom, e “terceiro” é shalosh. Ambas as palavras trazem a ideia de “estar completo” (shalam), “ter autoridade” (shaliysh), “ter primazia” (shilshom). Parece que Paulo colocou os frutos de maneira que a ordem em que foram dispostos fizesse sentido junto ao significado.

A paz aparece em terceiro lugar, e o número três é usado na Bíblia como símbolo da perfeição divina. E este terceiro fruto, a paz, só pode ser obtido através de um relacionamento direto com Deus, como está escrito: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (João 14.27). Nunca se falou tanto sobre paz. Mas nunca o mundo esteve tão permeado por guerras e discórdia. Este é um sinal de que o mundo não conhece esta verdadeira paz. Nós, porém, temos acesso a ela através de Cristo, que nos permite compreender a paz que procede de Deus.

Em grego, a palavra usada para “paz” é “eirene”, que se deriva do verbo “eiro”, que significa “unir”. Assim como o amor, a paz também é um fruto que surge da direta comunhão com Deus. Jó, por exemplo, no final de sua história, liberta-se de sua angústia e experimenta a verdadeira paz quando diz: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5). É uma paz que procede do relacionamento com Deus.

Em hebraico, como vimos, o termo para “paz” é “shalom”, que se deriva de “shalam”, “estar a salvo”, “estar completo”, mas que também pode significar “pagamento” ou “recompensa” (shillum). Isso porque foi através do precioso sangue de Cristo que fomos comprados e resgatados da nossa vã maneira de viver (1 Pedro 1.18), de modo que receberemos a recompensa da promessa de entrar na celebração do Senhor (Mateus 25.21). Isso adiciona paz à vida daquele que tem essa esperança.

Outra palavra relacionada à shalom é “shelam”, que significa “restituir”. Aqueles que compreendem o poder do sacrifício de Cristo na cruz recebem de Deus uma paz que excede o atendimento humano, pois têm a consciência de que foram restituídos à comunhão com o Pai.

A pessoa que entende que o castigo que nos trouxe a paz (shalom) estava sobre Cristo (Isaías 53.5) passa a ter um coração agradecido e oferece sacrifícios pacíficos (shelem) em gratidão a Deus. Em resposta, Deus nos cobre com uma paz que é semelhante a uma veste (salma’) que cobre nossa vergonha e nossos pecados.

Davi compreendeu esse mistério. Ele sempre teve uma vida muito confusa, envolvido em guerras e intrigas, de maneira que aquilo que mais buscava era a paz. Foi por esta razão que deu a seus filhos os nomes Shelomoh (Salomão, que significa “pacífico”) e ‘Abiyshalom (Absalão, que significa “meu pai é a Paz”). O tataravô de Davi, pai de Boaz, se chamava Salmon, termo também relacionado à shalom, e que significa “investidura” ou “vestimenta”. Davi percebeu que só estaria completo (shalam) quando estivesse completamente submetido à vontade de Deus, dependendo do Senhor para receber a verdadeira paz (shalom) que ele tanto buscava. Quando ele recebeu uma investidura (salmon) como rei ungido, Deus o cobriu com uma veste (salma’) espiritual e o fez entender que a maior recompensa (shalmon) que um homem pode receber por seu trabalho não é a riqueza, nem mulheres, nem fama, mas a verdadeira paz que procede de Deus por meio de Jesus Cristo, o “Sar Shalom”, ou seja, o Príncipe da paz, como lemos em Isaías 9.6.

O curioso é que a expressão hebraica “sar shalom” pode ser traduzida como “ele cantou: está tudo bem”, porque “shiyr” é “cantar” e “shalom” também pode significar “estar bem”, como em Gênesis 29.6 e 1 Reis 5.22. Portanto, quando experimentamos a verdadeira paz (shalom) é como se o Príncipe da Paz (Sar Shalom) estivesse cantando em nossa alma: “está tudo bem!”

Creia nessa palavra. Jesus é o Príncipe da Paz, o único cujo verdadeiro amor nos faz superar a força do caos e experimentar a verdadeira paz. Que Deus derrame sobre sua vida a verdadeira paz, em Nome de Jesus!

::Daniel Lopez

Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desvendando a Alegria



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Continuando nossos estudos sobre os Frutos do Espírito, temos hoje como foco de análise o segundo fruto, a alegria. Em grego, o termo usado para “alegria” é “chara”, que significa “deleite”, “felicidade”. Esta palavra se deriva de “chairo”, que significa “regozijo”. O interessante é que a palavra grega “chairo” nos lembra o nome da capital do Egito, Cairo, que em árabe é al-Kahira, que significa “o forte”. Isso traz à memória a ideia de que a alegria do Senhor é o que nos torna fortes (Neemias 8.10). Alegria e força estão diretamente relacionados. O inimigo ataca nossa força quando consegue tirar de nós nossa alegria. Existe uma batalha no reino espiritual para destruir nossa alegria. A alegria é um campo de batalha. Um dado curioso é que o nome original da cidade do Cairo era, em egípcio, Khere-ohe, que significa “campo de batalha”, em referência à batalha ocorrida entre Hórus e Set neste local. De forma semelhante, a alegria é um campo de batalha, em que o Espírito Santo e as forças das trevas lutam por nossa alma.

O versículo de Neemias 8.10, lido em hebraico, nos oferece mais esclarecimentos sobre a importância da alegria na vida do cristão. Nele, a palavra hebraica para alegria é “chedvah”, que vem de “chadah” e traz a ideia de “união”, pois se relaciona com “‘achad”, que significa “unificar”. Ou seja, a alegria é um campo de batalha espiritual, pois o cristão, quando está unido a Deus, exulta de alegria, ainda que em meio à tribulação. Se o inimigo conseguir tirar a alegria do cristão, ele quebra sua unidade com o Senhor. Ter alegria (chadah) é estar unido (‘achad) a Deus.

O homem que está verdadeiramente em união (‘achad) com Deus possui alegria (chadah) porque tem a força de uma espada afiada (chadad). Em hebraico, os termos “união” (‘achad) e “afiado” (chadad) são semelhantes devido à ideia de que os dois lados da lâmina de uma espada se unem para formar uma ponta afiada. Dessa maneira, vemos que o cristão que se une a Deus é afiado como uma espada e forte na batalha, pois a alegria do Senhor é uma de suas armas de guerra.

Outra curiosidade é que, em hebraico, as palavras “alegria” (chadah), “união” (‘achad) e “enigma” (chiydah) possuem a mesma origem. Isso ocorre porque o enigma se inicia com o narrador se distanciando de seu interlocutor no momento em que propõe a charada. Todavia, a charada termina quando a solução do enigma é anunciada, o que reúne a ambos. Isso nos lembra o costume de Cristo de falar por meio de parábolas, atitude que irritou a muitos, mas trouxe força e esclarecimentos para aqueles que buscaram compreendê-las. Muitas vezes Deus nos deixa passar por tribulações que geram em nós dúvida e desesperança. Nesses momentos, não entendemos o que está havendo, não compreendemos porque aquilo está acontecendo conosco. É como uma charada ou enigma. O inimigo usa essa ocasião para tentar enfraquecer-nos e tirar a força de nossa alegria. Todavia, o Senhor, ao derramar sobre nós seu Espírito Santo e ensinar-nos o significado de tudo o que está acontecendo, faz com que experimentemos uma reunião poderosa com Deus, momento em que exultamos de alegria por ter desvendado o enigma, por descobrir o que estava realmente acontecendo.

Paulo, por exemplo, experimentou essa angústia quando da ocasião do espinho que afligia sua carne (2 Coríntios 12.7). A curiosidade surge quando percebemos que uma das palavras hebraicas para espinho (chedeq) também tem a mesma origem que os termos “alegria” (chadah), “união” (‘achad), “afiado” (chadad) e “enigma” (chiydah). Isso porque o espinho nos leva a uma condição de dúvida, coloca diante de nós um enigma. Todavia, quando compreendemos o motivo pelo qual o Senhor nos permitiu que experimentássemos aquele espinho, recebemos uma alegria no Senhor e nossa união com Deus se torna mais sólida.

Outra palavra hebraica diretamente relacionada com a ideia de alegria é “chadar”, que significa “cercar”. Aqueles que estão verdadeiramente unidos ao Pai, e por isso experimentam a alegria do Senhor, estão cercados (chadar) pela proteção do Anjo do Senhor (Salmo 34.7).

Outra variação dessa mesma palavra, “cheder”, significa “quarto”, pois é um cômodo cercado (chadar) de paredes. Assim vemos que o quarto (cheder) é um local onde o crente pode buscar proteção, ao ser cercado (chadar) pela presença divina e receber de Deus uma unção poderosa de alegria (chadah). A passagem de Mateus 6.6 é categórica sobre esse tema: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

O cristão que deseja obter de Deus a verdadeira alegria (chadah) deve buscar uma união (‘achad) com Deus de modo que torne afiada (chadad) sua comunhão com o Pai, mesmo que através de um espinho (chedeq). Entrar no quarto (chedar) e buscar ser cercado (chadar) da unção e proteção de Deus fará com que o Senhor nos coloque em seu esconderijo (kachad) e revele mistérios que estão em oculto, desfazendo enigmas (chiydah) de nossa vida, trazendo um renovo (chadash) especial (qadash) que nos fará entender o que é a verdadeira alegria (chadah).

Dedico este artigo à querida Evelyn Lorraine Flood, aluna, amiga e irmã em Cristo que tem guardado sua alegria mesmo em meio a um enigma: uma luta contra o câncer. Peço aos queridos leitores que coloquem a Evelyn em suas orações.

A alegria do Senhor é nossa força!

::Daniel Lopez

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Desvendando o Amor



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Em seguimento ao nosso último estudo, que teve como foco o fruto do Espírito, analisamos agora o mais importante dos frutos: o amor. Ao debruçarmos sobre os textos originais, grego e hebraico, percebemos que este fruto guarda uma tremenda força espiritual.

Em grego, amor é “ágape”, termo que também pode significar “afeição”, “benevolência” ou “caridade”. O interessante é que o termo “ágape” deriva-se de “airo”, que significa “levantar”, “suspender” ou “sustentar”. Em Mateus 4.6, essa palavra é usada da seguinte maneira: “Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão (arousin) nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra”. Assim vemos que o amor está relacionado ao sustento. Deus nos ama porque nos sustenta em nossas vidas, provendo tudo o que é necessário para nossa sobrevivência. O próprio Espírito Santo nos sustenta, pois intercede por nós (Romanos 8.26). Da mesma forma, não podemos dizer que amamos nosso irmão se não o sustentamos em sua fraqueza. O próprio Cristo nos deu esse alerta. Aquele que não sustenta seu irmão em sua fome, sede, desabrigo, nudez, enfermidade ou cadeia terá a infelicidade de escutar de Cristo: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.41). Compreender o amor é condição fundamental para se conhecer a Deus e dele obter a vida eterna, pois quem não ama (ou seja, quem não sustenta o seu próximo e é sustentado por Deus) não conhece a Deus, porque Deus é amor (1 João 4.8).

É também esse tipo de amor verdadeiro que nos leva a tomarmos a nossa própria cruz, entregando nossas vidas em benefício do próximo. Todos os cristãos são convidados, pelo próprio Cristo, a negarem-se a si mesmos e tomarem a própria cruz (Mateus 16.24). Inclusive, o verbo usado em Mateus 27.32 quando diz que Simão, o cireneu, foi obrigado a “carregar” a cruz é “are”, flexão de “airo”. Todavia, somente poderemos ser tirados (airo) da escravidão da morte e do pecado se conhecermos e praticarmos o verdadeiro amor (agape), que é sustentar (airo) o próximo, ou seja, dar a vida pelos nossos amigos (João 15.13).

O termo “airo” também pode trazer a ideia de “lançar” ou “remover”, como em Mateus 21.21: Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te (artheti) no mar, tal sucederá”. O verdadeiro amor lança fora todo medo, todo obstáculo e todo empecilho (1 João 4.18), pois foi através do amor pela humanidade (João 3.16) que Cristo foi capaz de destruir as obras do diabo (1 João 3.8).

O termo “airo” também pode significar “zarpar”, ou seja, “levantar a âncora”, como em Atos 27.13: “Soprando brandamente o vento sul, e pensando eles ter alcançado o que desejavam, levantaram (arantes) âncora e foram costeando mais de perto a ilha de Creta”. Da mesma forma, quando nascemos de novo em Deus e temos contato com seu verdadeiro amor (1 João 4.7), iniciamos uma viagem, zarpando da terra do pecado em direção à Nova Jerusalém. Nesta viagem, quem conduz o barco é o Espírito Santo, como está escrito: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3.8). Aquele que é nascido do Espírito entende o que é o amor, e inicia uma jornada com Cristo para trazer a este mundo o Reino de Deus, cujo fundamento é o amor.

O curioso é que se em grego amor é “ágape”, temos em hebraico o termo “agab”, que significa “amar”, no sentido de “respirar por” ou “desejar”, “estar inflamado”. Assim, vemos que, em hebraico, este amor significa ansiar ardentemente por fazer a vontade de Deus, assim como Paulo que, mesmo diante do perigo de morte anunciado pelo profeta Ágabo (veja que curiosa a semelhança com ‘agab), não recuou, mas disse: “Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (Atos 21.13). Paulo estava pronto para entregar a vida em favor da causa do Evangelho e em resposta a seu compromisso com Cristo, expresso em 1 Coríntios 9.16: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” Paulo, que era nascido de Deus, conhecia o verdadeiro amor. Por isso, abriu mão de seus sonhos para fazer a vontade de Deus e entregar sua vida pela humanidade.

Em hebraico, porém, a palavra que é mais usada para se referir ao amor é “‘ahav”. O curioso é que ‘ahav está diretamente relacionada com “‘ohad”, que significa “estar unido”. Aquele que realmente está unido a Cristo faz as obras que ele fez, que foram todas motivadas por um impressionante amor pela humanidade. Assim vemos que o amor não é um sentimento, mas uma ação. O termo “yahav” (que significa “dar”), outra variação de ‘ahav, nos mostra como o amor é um ato de doação. Foi por isso que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

Além disso, o termo derivado “yehav” significa “porção” ou “fardo”. Assim, entendemos o motivo pelo qual, em hebraico, os termos “amor”, “fardo”, “jugo”, “dar” e “sofrimento” estão todos relacionados.

Amar é tomar sobre si um fardo que era destinado ao próximo, é dar a vida pelos amigos. Amar é, em suma, conhecer a Deus, estar unido a Ele e fazer Sua vontade.

::Daniel Lopez

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Desvendando o Original - Os Frutos



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Vivemos, definitivamente, em uma época perigosa. O inimigo tem levado muitas pessoas à falsa ideia de que é através dos dons espirituais que identificamos se alguém está em comunhão com Deus. A Palavra de Deus, porém, nos afirma que é pelos frutos (Mateus 7.20) que conhecemos a pessoa que está verdadeiramente conectada à videira verdadeira que é Cristo (João 15.1-8).

Em grego, o termo traduzido por “fruto” é “karpos”, que significa “aquilo que é retirado”, pois se deriva do verbo “harpazo”, que pode ser traduzido como “arrebatar”, como em Atos 8.39: “Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou (herpasen) a Filipe, não o vendo mais o eunuco”. O mesmo termo é usado por Paulo em sua famosa passagem de 2 Coríntios 12.2: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado (harpagenta) até ao terceiro céu”. A mesma expressão aparece em 1 Tessalonicenses 4.17: “Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados (harpagêsometha) juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”. Em Apocalipse 12.5, temos a mesma palavra: “Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado (herpasthe) para Deus até ao seu trono”. Dessa maneira, vemos que os frutos são elementos que acompanham a vida daqueles que serão levados para junto de Cristo quando for retirado aquilo que impede o mistério da iniquidade de operar com força total (2 Tessalonicenses 2.7-8). Estes que serão levados para junto de Deus, como frutos apanhados em uma colheita, serão livres da grande provação que está para vir sobre o mundo (Apocalipse 3.10).

O termo grego para “fruto” (karpos) também é derivado de “hellomai” que significa “preferir” ou “escolher”, como em 2 Tessalonicenses 2.13: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu (heilato) desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade”. Temos o grande privilégio de termos sido escolhidos por Deus, uma escolha para que pudéssemos fazer aqui na terra as mesmas obras que Cristo realizou quando fez um tabernáculo entre nós. Somos chamados não para vivermos uma vida relaxada e tranquila, mas fomos escolhidos para trabalhar na grande seara do Senhor, na qual faltam trabalhadores (Mateus 9.37).

O termo grego “karpos” (fruto) também se relaciona a “airo”, que significa “levantar” ou “tomar”, como em Mateus 11.29: “Tomai (arate) sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma”. Aquele que toma sobre si o jugo de Cristo e segue seus passos será também tomado por Cristo e levado aos ares para celebrar com Ele as Bodas do Cordeiro.

Em hebraico, o termo geralmente traduzido por “fruto” é “periy”. Essa palavra também pode significar “recompensa”. O cristão somente pode dar fruto se trabalhar na vinha do Senhor, como na parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20.1-16). Independente da hora em que for contratado, ele receberá a recompensa por seu trabalho, que é o fruto de seu labor. Trabalhar na vinha de Cristo e Dele receber sua recompensa é, verdadeiramente, estar em comunhão com Cristo.

O termo hebraico para fruto (periy) também está diretamente ligado às ideias de “quebrar” (pur) e “separar” (paraz). Isso porque uma pessoa somente pode dar fruto se quebrar (pur) todos os tipos de concepções que possui e deixar que Cristo mostre a ela o que é bom, perfeito e agradável (Romanos 12.2). Agindo assim, o verdadeiro cristão se separa (paraz) do mal e é separado por Deus para uma soberana vocação que há em Cristo Jesus (Filipenses 3.14).

Um dos ancestrais de Cristo possuía um nome que vem dessa mesma raiz. Seu nome era Perez (Gênesis 38.27-30). Quando estava para nascer, achou caminho (paratsta) e, passando à frente de seu irmão gêmeo, saiu do ventre de sua mãe em primeiro lugar, brotando como um fruto (periy) maduro. Por isso foi chamado Perez (parets). Ele, como um fruto que brota, adquiriu o direito à primogenitura e à herança que lhe cabia. Da mesma forma, o fruto é aquilo que brota e acha caminho para sobressair na vida do cristão que verdadeiramente é um trabalhador na vinha de Cristo. Estes que assim procedem e geram frutos são os escolhidos, pois muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos (Mateus 22.14).

Outra ocasião em que esse termo aparece é quando Daniel desvendou o recado que a mão misteriosa havia escrito na parede de Belsazar. O profeta Daniel interpreta o termo “parsim” (pharsiyn) da seguinte maneira: “Dividido (periysath) foi o teu reino e dado aos medos e aos persas (pharas)” (Daniel 5.28). Aqui vemos que o termo hebraico para fruto (periy) também se relaciona com as palavras “dividido” (periysath) e “Pérsia” (pharas). Isso nos leva a pensar sobre os dois tipos de fruto que existem: o fruto do Espírito, que nos torna separados para Deus, e o fruto da carne, que separa aquele que os produz para o julgamento. Na ocasião da passagem de Daniel, o reino da Babilônia havia plantado tanta destruição e perversidade, a ponto de utilizar os utensílios sagrados do templo de Jerusalém em uma festa profana e pagã (Daniel 5.1-5). Por esta razão, tendo produzido frutos (periy) da carne, Deus separou (peras) o reino da Babilônia para o julgamento (parets), de modo que este reino foi dividido (periysath) e dado aos persas (pharas).

Outra palavra relacionada com “periy” (fruto) é “purah”, que significa “prensa do vinho” ou “lagar”. Isso nos leva a concluir que é somente quando o cristão é prensado e esmagado (pur) pelas circunstâncias da vida e pelos ataques do inimigo que ele se torna um lagar (purah) de onde brota o puro fruto da vide. Somente quando o cristão passa a ver o fruto (periy) em sua vida é que ele consegue se separar (paraz) do mal, esmagar (pur) a força do pecado e produzir um vinho puro como o de um lagar (purah) administrado pelo verdadeiro lavrador, que é o Pai (João 15.1).

Não se engane: é pelos frutos, e não pelos dons, que seremos conhecidos por Cristo. Busque os frutos e o próprio Cristo o limpará para que você possa produzir ainda mais frutos para o engrandecimento do Reino de Deus.

::Daniel Lopez

Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.

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Colaborador do portal Lagoinha.com

domingo, 10 de abril de 2011

Desvendando o original - Oséias

Desvendando o Original – O Desafio de Oséias

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“Palavra do SENHOR, que foi dirigida a Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (Oséias 1.1).

Neste versículo, encontramos muitas coisas interessantes e surpreendentes. O curioso é que o termo hebraico para “palavra” (davar) está diretamente relacionado com “deber”, que significa “praga”, assim como também se relaciona com “dabar”, que em Salmos 41.8 é traduzido como “doença”. Portanto, ao mesmo tempo em que o Senhor está anunciando uma “palavra” (ou uma ordem) a Oséias, Deus também tem como propósito aqui denunciar a doença (dabar) do pecado, que se espalhou como uma praga (deber) por entre o povo de Deus.

O termo hebraico para “SENHOR” é “Yehovah”, “Aquele-que-Existe”, pois está relacionado com “hayah”, que significa “existir” ou “respirar”. A raiz é “hahh”, termo que expressa um sinal de espanto, como quando tomamos fôlego diante de uma cena espantosa. Essa palavra aparece em Ezequiel 30.2: “Filho do homem, profetiza e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Gemei: Ah! (“hahh”) Aquele dia!”. Assim, podemos traduzir o nome de Deus em hebraico, “Yehovah”, como “Aquele-que-Existe”, “aquele que respira”, “aquele que tem o fôlego de vida” ou “aquele diante do qual suspiramos em espanto”. Dessa maneira, o versículo de Oséias 1.1 pode ser lido da seguinte maneira: “Maldição anunciada por Aquele-que-Existe”. Isso porque a Palavra de Deus julga o homem e denuncia o pecado (João 12.48), enquanto o espírito convence o homem de seu pecado (João 16.7 e 8). Assim, quem se humilha, ora, busca a Deus e se converte de seus maus caminhos tem de Deus a maldição repreendida e sua terra sarada (2 Crônicas 7.14).

O pronome relativo “que” em hebraico (‘asher) é muito curioso, e procede de uma raiz (shar) que possui inúmeras derivações. Literalmente, esta palavra hebraica pode significar “Aser” (um dos doze filhos de Jacó) ou “Assíria” (uma das nações que rivalizavam com Israel). Em hebraico, o nome “Aser” (‘asher) significa “feliz”, através da idéia de “retidão” e “sucesso”, e foi porque deu felicidade a sua mãe Leia que recebeu este nome, conforme Gênesis 30.13. Ou seja, Deus está dirigindo sua palavra a Oséias, o profeta que é “feliz” (‘asher) por causa de sua retidão perante o Senhor, por não ter sido contaminado pela praga (deber) que trouxe a doença (dabar) do pecado. Assim, podemos ler Oséias 1.1 da seguinte forma: “Maldição anunciada por Aquele-que-Existe. Felicidade dirigida a Oséias”. Ainda que a ordem dada a Oséias fosse muito dura (casar-se com uma meretriz), o profeta é feliz pois tem o privilégio de receber diretamente de Deus uma convocação soberana (Filipenses 3.14).

O curioso é que o termo hebraico ‘asher também pode significar a Assíria, como em 1 Crônicas 5.6. Isso é muito interessante, pois Oséias concluiu seu ministério profético cinco anos antes da capital do Reino do Norte, Samaria, ser invadida pela Assíria, o que aconteceu em 722 a.C. Assim, podemos traduzir o início de Oséias 1.1 como “Praga que Yehovah trouxe através da Assíria”. Veja como o texto, analisado a partir do original, anuncia verdades proféticas fortíssimas.

Em hebraico, a expressão “dirigida” significa, na verdade, “que tornou a existir”, de modo que podemos traduzir o versículo da seguinte maneira: “Maldição que Aquele-que-Existe trouxe através da Assíria, que se tornou a existir para Oséias”. Ou seja, a maldição que estava para vir sobre o povo, Deus a lançou sobre Oséias, de modo que o povo pudesse, diante do sofrimento do inocente profeta, converter-se de seus maus caminhos. Oséias tomou sobre si, portanto, um jugo semelhante ao de Cristo, quando lemos que Ele “tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si... Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Isaías 53.4-5). Quem creu na pregação e no sacrifício de Cristo teve seus pecados perdoados e recebeu a salvação. Assim também com Oséias, pois todo aquele que cresse em sua pregação seria liberto da maldição que estava para cair sobre o povo. Quem não creu, porém, levou sobre si o julgamento, pois rejeitou o sacrifício intercessório do profeta, assim como está escrito: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Marcos 16.16).

A expressão “dirigida a Oséias” é, em hebraico, “hâyâh 'el-hoshêa”, ou seja, a preposição “a” é, em hebraico, a mesma expressão para “Deus” (‘el). Assim, podemos traduzir o versículo da seguinte maneira: “Maldição que Aquele-que-Existe trouxe através da Assíria, tornou-se Deus Oséias”. Como está, a tradução fica sem sentido. Mas se traduzimos o significado do nome “Oséias” (salvação) o texto ganha uma força espiritual poderosa: “Maldição que Aquele-que-Existe trouxe através da Assíria, tornou-se Deus salvação”. Ou seja, quando o Senhor anuncia que o povo de Deus, devido a seu pecado, está agindo como uma esposa adúltera, Ele está tentando convencer o povo do erro de suas atitudes e de que se continuassem assim colheriam o que plantaram: maldição, morte e destruição, que viria através da invasão assíria. Ao mesmo tempo, diante do anúncio a desgraça iminente, o Senhor anuncia que Ele é a única salvação, que somente em Deus eles poderão ser livres da grande tribulação que estava para vir sobre a terra. Essa palavra é profética, pois o Senhor continua nos convocando ao arrependimento, de modo que possamos ser salvos do grande e terrível dia do Senhor (Malaquias 4.5).

A seguir, o livro nos traz uma sequência de nomes, cada um com profundo significado espiritual. Beeri significa “minha fonte”; Uzias, “Yahovah é minha força” ou “força de Yehovah”; Jotão, “Yehovah é perfeito”; Acaz - “ele possuiu”; Ezequias, “fortalecido por Yehovah” ou “Yehovah o tornou forte”; Reis de Judá, “reis louvados”; Jeroboão, “o povo guerreará”; Joás, “Queimado pelo Senhor” ou “dado pelo Senhor”; Rei de Israel, “Rei de O Senhor prevalecerá”. Dessa maneira, se traduzirmos os nomes, teremos o seguinte texto:

“Maldição que Aquele-que-Existe trouxe através da Assíria. Tornou-se Deus salvação. Em meio à minha fonte nos dias, Aquele-que-Existe é minha força, Aquele-que-Existe é perfeito. Ele conquistou, fortalecido por Aquele-que-existe. Reine, aclamado! Nos dias o povo guerreará filho queimado por Aquele-que-Existe, Deus prevalecerá”.

Se adaptarmos o texto, teremos a seguinte forma final:

“Maldição que Aquele-que-Existe trouxe através da Assíria. Tornou-se Deus salvação. Em meio à minha fonte nos dias, Aquele-que-Existe é minha força, Aquele-que-Existe é perfeito. Ele conquistou, fortalecido por Aquele-que-existe, um reino aclamado. Naqueles dias, o povo guerreará como um filho queimado por Aquele-que-Existe. Deus prevalecerá!”.

Não é por acaso que o nome Oséias (hoshêa`) era o nome original de Josué (yehoshua`), que é também o nome de Jesus. Oséias (hoshêa`) abriu caminho para que pudéssemos compreender Jesus (yehoshua`). Através de Oséias, Deus anuncia uma palavra de amor, arrependimento e misericórdia mesmo em meio a todo o caos que estava prestes a vir sobre a terra de Israel. É em meio à adversidade e ao desespero que percebemos que Deus é a nossa salvação (Deuteronômio 8.3). Se bebermos da fonte prometida por Cristo à mulher samaritana (João 4.14), receberemos força de Deus, e veremos que Seus planos são perfeitos, ainda que a realidade esteja aparentemente caótica. Com a força do Senhor, teremos a verdadeira alegria, não de bênçãos materiais, mas de conquistarmos o Reino de Deus, tendo nosso nome escrito no Livro da Vida (Lucas 10.20). Se guerrearmos com firmeza em Cristo, queimados pelo fogo do Espírito, Deus prevalecerá em nossas batalhas e conquistaremos a verdadeira vitória, que é a vida eterna junto a Deus.

Que essa palavra possa penetrar em seu coração e conceder-lhe força para prevalecer com Deus sobre as astutas ciladas do maligno, em Nome de Jesus!

Daniel Lopez

Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.

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