sexta-feira, 8 de junho de 2012

Josué – Aula 08/06/12



Cap 9 – A conspiração das nações e o engano dos gibeonitas






9.1 Heteus(Hb. Cheth, “terror”); Amorreus (Hb. ‘emoriy, de ‘amar,“aquele que torna público”); Cananeus(Hb. Kena’an “humilhado”, do Hb. Kana’, “dobrar o joelho”); Perezeus (Hb.Perizziy, “habitantes da vila”,“vilões”, de Peraziy, “vila”); Heveus (Hb. Chivviy, “aqueles que dão a vida”); Jebuseus (Hb. Yebusiy, )






“O terror foi tornado público, mas humilhados foram os vilões, pois deram suas vidas para pisar”.






Ou seja, as notícias das vitórias do povo de Deus gera terror no inimigo. Em Josué 10.2, vemos que os gibeonitas eram um povo forte e corajoso, e sua cidade era grande, rica e importante. Assim, com medo, eles ameaçam o povo de Deus, tornando públicas suas ameaças. Porém, estes que dedicaram suas vidas para esmagar e destruir, serão humilhados em sua derrota.






9.2 De comum acordo (Hb. Peh echad, “uma boca”). Ou seja, todos falando e pensando a mesma coisa. Quem dera o povo de Deus fosse unido assim. Cada um fala uma coisa, porque, em vez de pregarem a Palavra, que é única, falam de seus próprios desejos e aspirações, seja porque não conhecem a Palavra ou porque rejitaram a Palavra.






9.2 Pelejar(Hb. Lacham, “consumir”, “alimentar”,“devorar”, relacionado a lechem,“pão”). O pão é feito através da massa que é batida, esmagada. Assim também é a guerra, quando há um amontoado que se amassa. Até hoje, o inimigo busca devorar o povo de Deus, como leão, procurando a quem tragar. Ou seja, o inimigo hoje se alimenta da Igreja, pois esta não o incomoda, mas apenas lhe serve de alimento.






Jos 9:14 “Os homens de Israel aceitaram a comida deles, porém não pediram conselho a Deus, o SENHOR”





No mundo espiritual, quando aceitamos a comida de alguém estamos criando comunhão com aquela pessoa ou divindado. Nos tornamos “companheiros”deles (do latim “com” + “panis”). Como nas festas religiosas antigas, tanto pagãs como na própria Cia do Senhor, e em celebrações como “Cosme e Damião”.





Os israelitas não consultaram o Senhor, e fizeram um pacto o inimigo. Nós não sabemos o que é bom, perfeito e agradável (Rm 12.2). Por isso, uma decisão importante como aquela deveria ter feita através de uma consulta prévia a Deus.





9.14 Aceitaram a comida deles (Hb. va yiqchu mi tsêyd hâm):





a) Aceitaram (Hb. Laqach, relacionado a leqach, “aprender”). Os israelitas aprenderam uma grande lição com este descuido.





b) Comida (Hb. Tsayid). Não é a palavra geralmente utilizada para comida (Hb. ‘Okhel, relacionada a leekhol, “comer”). Procede de tsud, que significa “deitar-se de lado”,formada pela letra tsad, “lado”,“side”, seja para dormir, para esconder-se ou para fazer uma emboscada, ou seja, para caçar. Assim, o termo tsayid é traduzido por comida pois se trata do fruto da caça (Hb. Tsud). Todavia, vemos que esta comida foi um isntrumento de engano e de armadilha (Hb. Tsediyah), emboscada (Hb. Matsod), pois prenderam um israelitas e um juramento que não deveriam ter feito. Por isso, devemos ter muito cuidado com o que pessoas estranhas oferecem para nós, principalemte quando o objeto oferecido é uma comida.





9.15 Aliança (Hb. Beriyth). A beriyth é um pacto que é feito através do corte (Hb. bara’) da carne (Hb. barah), como a circuncisão e o sacrifício de Gn. 15.10. E representa que, caso o pacto seja descumprido, haverá maldição, corte e morte. Foi exatamente o que aconteceu em 2 Samuel 21.1-14.





10.1 Adoni-Zedeque (Do Hb. Adon + Tsedeq, “meu senhor é justo”). O ímpio acha que, ao serviu seus deuses, está servindo a justiça.





10.3





a) Hoão (Hb. Hoham, “impelido por Jeovah”), rei de Hebrom (Hb. Chebron,“associação” ou “encantamento”): “Impelido por Jeovah, rei dos encantamentos”;





b) Pirã (Hb. Pir’am, “jumento selvagem”), rei de Jarmute (Hb. Yarmuth, “alturas”): “Jumento selvagem, rei das alturas”;





c) Jafia (Hb. Yaphiya’, “brilhante”, “glorioso”), rei de Laquis (Hb. Lakhish, “invencível”);





d) Debir (Hb. Debiyr, “Santuário”, “oráculo”), rei de Eglom (Hb. ‘Eglon, “como um bezerro novo”). Como um deus semelhante ao bezerro de ouro (‘egel zahav), citado em Êxodo 32.4 e 1 Reis 12.28.





Jos 10:9 “Josué saiu de Gilgal e marchou a noite toda, subindo sempre. Ele atacou de surpresa”.





Quando Deus nos mostra os planos do inimigo, devemos atacar imediatamente, pegando-o de surpresa, como Davi fez com Golias.





Jos 10:11 E, enquanto eles fugiam dos israelitas, correndo na descida de Bete-Horom até Azeca, o SENHOR jogou do céu grandes pedras de gelo sobre os inimigos, e eles foram mortos. E morreram mais pessoas com essa chuva de pedras do que no combate com os israelitas.





John Wesley nos dá um bom comentários sobre este evento. Essas nações que haviam roubado a glória de Deus, adorando os astros, agora são perseguidas por eles, e lavadas a sua ruína. Bete-Horom ficava a norte de Gibeão, enquanto Azeca e Maquedá ficavam ao sul. O que mostra que eles fugiram para todos os lados. Mas, para onde figiam, as pedras os atingiam, pois não há como escapar das mãos de Deus.





Jos 10:12 No dia em que o SENHOR deu a vitória aos israelitas na luta contra os amorreus, Josué falou com ele. E, na presença dos israelitas, disse: “Sol, fique parado sobre Gibeão! Lua, pare sobre o vale de Aijalom! ”





Movido pelo Espírito Santo, e por um zelo para com a obra de Deus, desejando aniquilar o inimigo, Josué pronuncia essa aparente loucura na frente de todos, para que fossem testemunhas.





Jos 10:40 Assim Josué conquistou toda aquela terra. Derrotou os reis que moravam nas montanhas, na região sul, nas planícies e ao pé das montanhas. Ele não deixou ninguém vivo; todos foram mortos. Era isso o que o SENHOR, o Deus de Israel, havia mandado.





O final do versículo mostra que os israelitas executaram uma ordem divina ao destruir completamente o povo.





A Causa da Destruição





Jos 11:19 Nenhuma dessas cidades fez acordos de paz com Israel, a não ser Gibeão, onde moravam alguns heveus. As outras cidades foram tomadas na guerra.





Jos 11:20 O SENHOR Deus fez com que os moradores dessas cidades teimassem em lutar contra o povo de Israel, para que, assim, fossem completamente destruídos e mortos sem dó nem piedade. O SENHOR havia ordenado isso a Moisés.





A Derrota dos Gigantes e os remanescentes entre os filisteus





Jos 11:21 Nessa ocasião Josué foi e acabou com os gigantes anaquins que viviam nas montanhas: em Hebrom, Debir, Anabe e em toda a região montanhosa de Judá e de Israel. Josué acabou completamente com eles e destruiu as suas cidades.





Jos 11:22 Nenhum dos anaquins ficou na terra de Israel. Somente alguns continuaram a viver nas cidades de Gaza, Gate e Asdode.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Desvendando o original – Salmo 119.9,11

"De que maneira poderá o jovem purificar seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra... Escondi no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti"
Salmo 119.9 e 11

1- De que maneira (Hb. Bammeh). “Plataforma de culto”. Pode significar “poste ídolo”, “imagens nos locais elevados” (Lv. 26.30). Se refere também a Bamote-Baal (“elevações de Baal”), montanha de onde Balaão tentou amaldiçoar o povo de Deus (Números 22.41). Lev 26:30 Destruirei os vossos altos (bammah), e desfarei as vossas imagens do sol, e lançarei o vosso cadáver sobre o cadáver dos vossos deuses; a minha alma se aborrecerá de vós.

2- Jovem (Hb. Na’ar). “Aquele que oscila”, “aquele que se sacode” O jovem possui muitas inseguranças (profissionais, seu futuro, casamento), pois oscila em suas dúvidas mas possui muita energia e se “sacode” em busca de satisfazer seus desejos. O inimigo tenta persuadi-lo a seguir um caminho pecaminoso. Significa também “servo”, pois o jovem será cooptado para ser servo de Deus ou do inimigo.

3- Purificar (Hb. Yezakkeh, de Zakah). Relaciona-se ao termo Zaqaq, que signfica “refinar”. Também se relaciona com Zekukiyth, que significa “cristal”, ou seja, mineral livre de impurezas, transparente e resistente. Como pode o jovem livrar se todas as impurezas, ser transparente e forte como o cristal? Precisa ser refinado.

4- Seu caminho (Hb. ‘Archo, vem de ‘Orach). Pode significar “jornada” (pois somos forateiros neste mundo) ou rotina (o dia a dia, em que fazemos decisões que irão determinar nosso futuro).

5- Observando-o (Hb. Lishmor, vem de shamar). “Oservar”, “manter”, “guardar”, como em Apocalipse 1.3: “lêem”, “escutam” e “guardam”. Como pode o jovem guardar uma coisa que ele não conhece? 

6- Segundo a tua palavra (Hb. Ki-devârekha). “Segundo a sua ordem”, relacionado a santuário (debiyr) e a deserto (midbar).

7- Escondi (Hb. Tsâphantiy). Vem de Tsaphan, que se relaciona a tsâphı̂yn (“tesouro”). Ou seja, o jovem deve ver a Plavra de Deus como um tesouro, de modo encare a Palavra como aquilo que de mais valoroso tem em sua vida. A ideia é o encontro com a salvação, como no treho de Mat 13:44 —O Reino do Céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo. Mat 13:45 —O Reino do Céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Mat 13:46 Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola. Mat 13:47 —O Reino do Céu é ainda como uma rede que é jogada no lago. Ela apanha peixes de todos os tipos. Mat 13:48 E, quando está cheia, os pescadores a arrastam para a praia e sentam para separar os peixes: os que prestam são postos dentro dos cestos, e os que não prestam são jogados fora. Mat 13:49 No fim dos tempos também será assim: os anjos sairão, e separarão as pessoas más das boas, Mat 13:50 e jogarão as pessoas más na fornalha de fogo. E ali elas vão chorar e ranger os dentes de desespero.

8- No meu coração (Hb. Belibbiy). Vem de Lev (לב). “autoridde interior” ou “aquilo que conduz a casa”. Deus deve ser colocado como o centro de nossa vontade, aquilo que governa e conduz noss vida e nossos atos.

9- A tua palavra (Hb. 'Imrâtekha). Vem de ‘imrah, relacionado a ‘amar, que significa “fala”, “ordenança”, “promessa” e discurso. É conhecer os ditos de Jesus e seus ensinamentos. O interessante é que existe uma palavra muito próxima a esta que significa “cordeiro” (‘Immar). Ou seja, esconder no coração a palavra (‘imrah) é também escoder o cordeiro (‘immar). 

10- Para não pecar contra ti (Hb. Lema`an Lo' 'Echethâ'-Lâkh). O termo traduzido como “pecar” (chata’) se relaciona à ideia de “errar o alvo”, e o erro é “medido” com uma corda, corda esta que também prende ao erro, pois “um abismo cham outro abismo” (Salmo 42.7) e “de quem alguém é vencido, do tal se torna escravo” (2 Pedro 2.19). Aí só Jesus e sua verdade podem livrar tal pessoa, pois está escrito “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.. se pois o Filho vos libertar, verdadeiramento sereis livres” (João 8.32,36).

11- Se você se sente preso, aprisionado por alguma coisa, busque a Jesus que Ele vai libertá-lo.

domingo, 13 de maio de 2012

Resumo da pregação Culto da Família – Dia das Mães (13/05/2012) Local: Igreja Metodista de Itaipu Daniel Lopez



“E ele lhe disse: Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família (‘alpiy) é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Juízes 6.15).

1- Em hebraico, a palavra mais comum para família é mishpachah, que vem de shiphchah, que significa “estar unido”. Uma coisa que havia nas épocas mais prósperas do povo de Deus era união, como durante o governo de Josué.

2- Somente através dessa união, Gideão poderia derrotar os midianitas.

3- Quando a união acabou, o povo foi destruído. E a família é cerne dessa união.

4- No idioma hebraico, é a mãe que promove tal união, já que o termo ‘immah (אם) significa, literalmente, “cola”, “água forte” ou “aquele que une”.

5- É por esta razão que a Bíblia afirma que “a mulher (nashim, “aquela que empresta”, Maria como sacrifício vivo) sábia edifica (banetah, banah, “aquela que entende”) o lar” (Provérbios 14.1).

6- Para entendermos como a mulher edifica o lar, e qual o papel do pai e dos filhos nesse processo, devemos entender o que era um lar judaico antigo.

7- Para isso, analisaremos as palavras “Deus” (‘el), “família” (‘eleph), “mãe” (‘immah) e “filho” (ben) em hebraico.

8- A palavra família em hebraico (‘eleph) usada em Juízes 6.15 não é mishpachah, mas é ‘eleph, que é uma derivação da palavra Deus (‘el). Ou seja, Deus é aquele que cria e sustenta as famílias.

9- Deus é o “touro que conduz”. Ou seja, é aquele que conduz a família. Se uma família não está com Deus, ela está cega, e “um cego não pode conduzir outro cego, senão ambos cairão no abismo” (Mateus 15.14). 

10- Termos relacionados:

11- ‘Alah – “Juramento”, “maldição” – Deus é aquele que fez um pacto conosco, e nós concordamos com esse pacto. Se quebramos o pacto, surge uma maldição;

12- ‘Aluph – “Tutor”, “amigo”, “chefe”, “guia” – Depois que fazemos um pacto com Deus, ele se torna nosso guia, e nós nos tornamos amigos de Deus, como Abraão e como Jesus, quando disse: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (João 15.15).

13- E Jesus disse que os amigos são aqueles que fazem a Sua vontade (João 15.14).

14- ‘Alaph – “ensinar”. Aquele que faz um pacto com Deus, e se torna amigo de Deus, passando a fazer a vontade de Deus, como a receber de Deus ensinamentos sobre o Seu caminho e sobre a sua vontade, a partir de uma renovação da mente (Romanos 12.2). Além disso, começa a ensinar às demais pessoas sobre o caminho de Deus, fazendo discípulos (Mateus 28.19).

15- ‘Eleph – “família”. Depois que a pessoa passa por essa jornada, ela se torna parte da família de Deus, pois permaneceu nos caminhos do Senhor, conheceu a verdade, foi liberto e passou pelo novo nascimento, tornando-se filho de Deus, já que crê no nome do Senhor.

16- Quando Deus (‘El) conduz a família (‘Eleph) tudo começa a dar certo, como no Salmo 1.

17- O Pai (‘Av) – “Força da casa”, “poste da tenda”.

18- A mãe (‘Immah) – “a cola da casa”, “o tecido da tenda”.

19- O filho (Ben) – “aquele que dá continuidade à casa”.

20- Quem trabalha para a construção da casa de Deus, Deus trabalha na construção da sua casa, pois está escrito: 21- “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mteus 6.33).

21- Deus vos abençoe, em Nome de Jesus!

Culto Bola de Neve Niterói

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Deuteronômio: Aula 09 - O perigo de quebrar a aliança

Na nona e última aula sobre o livro de Deuteronômio, ministrada na Igreja Bola de Neve de Niterói-RJ, Daniel Lopez analisa as advertências de Deus para que o povo se mantivesse fiel à aliança que fizeram com o Senhor no Sinai. Neste estudo, Daniel Lopez, analisando o texto original hebraico, revela mistérios interessantes sobre a Palavra de Deus.

domingo, 8 de abril de 2012

Desvendando o Original – A Páscoa



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“Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Ide e tomai-vos cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa” (Êxodo 12.21)

A Páscoa é a mais famosa das festas judaicas, e também uma das mais importantes do calendário cristão. É evidente que a celebração judaica sofreu transformações ao longo do tempo, e a festa cristã em muito se distingue de sua versão judaica. Analisando texto hebraico, faremos uma viagem pela cultura e pela língua por meio da qual este evento foi instituído e perpetuado.

A palavra hebraica para páscoa é “pesach”, que significa “isenção”. Esse termo traz à memória, por exemplo, a “isenção fiscal”, quando uma pessoa é liberada de pagar um tributo. Em Romanos 6.23 lemos que “o salário do pecado é a morte”, ou seja, todos que pecaram deveriam morrer. Assim, os judeus que se encontravam no Egito também eram réus de morte e alvos do ataque do anjo da morte. Todavia, o mesmo versículo 23 de Romanos 6 nos dá esperança: “Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”. João Batista, ao ver Jesus, anunciou que este era o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Aqueles que no Egito tomaram posse do sangue do cordeiro de Deus tornaram-se “isentos” de pagar o preço do pecado com a morte de seus filhos primogênitos.

A palavra “pesach” vem de “pasach”, que significa “pular”, ou “passar por cima”, que é a tradução literal da palavra inglesa para páscoa, “passover”. O anjo da morte “passou adiante” das casas cujos umbrais das portas foram sinalizados com o sangue do cordeiro. Esse é o mesmo livramento que nos foi concedido por Cristo, que nos livrou da morte e nos deu vida, e vida em abundância (João 10.10).

O interessante é que a palavra “pesach” está diretamente relacionada com a palavra “pisseach”, que significa “manco” ou “coxo”, pois remete à pessoa que “puxa” ou “pula” uma perna. Dessa maneira, quando lemos em Êxodo 12.21 que o povo deveria “imolar a páscoa”, podemos traduzir como “imolar o coxo”. Nesse momento, nos lembramos de um personagem muito especial da Bíblia: Jacó. Quando retornava para sua terra natal, Jacó foi surpreendido por um anjo que lutou com ele. Em Gênesis 32.25, lemos que, quando o anjo viu que não prevalecia contra Jacó, este “tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele”. Desde aquele dia, Jacó (agora Israel), passou a mancar de uma perna, tornando-se coxo. Dessa maneira, “imolar o coxo” pode ser interpretado como “imolar Jacó”, “sacrificar Jacó”. Mas o cordeiro sacarificado na páscoa deveria ser perfeito, sem mancha nem mácula.

Como seria sacrificar o coxo?

Nesse momento temos uma mudança radical de perspectiva, pois no Antigo Testamento o coxo era uma pessoa amaldiçoada e rejeitada, e nenhum animal coxo poderia ser sacrificado a Deus e nenhum coxo poderia entrar na presença de Deus. Em Levítico 21.18, por exemplo, lemos que “nenhum homem que tiver algum defeito se chegará: como homem cego, ou coxo (pisseach), ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos”.

Em Deuteronômio 15.21, lemos que se o animal a ser sacrificado tivesse algum defeito, sendo coxo (pisseach), cego ou tivesse qualquer outra deformidade, este não deveria ser entregue ao Senhor. O profeta Malaquias, por sua vez, anuncia a indignação de Deus com algumas pessoas que estavam sacrificando animais coxos, o que era inaceitável (Malaquias 1.13). Na páscoa, nenhum animal coxo ou manco poderia ser entregue a Deus.

Concluímos, portanto, que Jacó deveria ser rejeitado? Sim, o velho homem Jacó, o enganador e usurpador, deve ser deixado para trás. Jacó parece ter dado ouvido a um ensinamento divino: “Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (Mateus 18.8). Jacó foi feito coxo, pois era a sua perna que o fazia tropeçar (Jacó significa “calcanhar” ou “enganador”). Ele lançou fora aquilo que o fazia tropeçar e entrou na vida. Ele abdicou de sua desenvoltura, de sua destreza no andar e no correr, mas alcançou a aprovação de Deus.

A fim de tomar posse do sacrifício do Cordeiro da Páscoa que nos livra da morte, devemos, assim como fez Jacó, abandonar o “velho homem” e assumir uma nova postura perante o Senhor. Nesse momento, Deus irá dar nova vida ao coxo, pois ele mesmo prometeu: “Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.” (Isaías 35.6). Ou como lemos em Hebreus 12.13: “E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado”. Jesus é nossa páscoa (1 Coríntios 5.7), nosso livramento da morte, poderoso para curar o coxo e levantar o caído.

Jacó foi curado no momento de sua luta com o anjo. Ele reconheceu sua condição pecadora e se humilhou na presença de Deus. Jacó, que nasceu segurando o calcanhar de seu irmão, e posteriormente usurpou a bênção que pertencia a Esaú, e tentou sempre “enganar”, ou seja, “puxar a perna” dos outros, tem agora a sua perna puxada e danifica por uma ação divina. Isso o “esvaziou” de toda vaidade e o deixou preparado para receber a cura.

É interessante observar que a luta de Jacó com o anjo ocorreu no “vau de Jaboque” (Gênesis 32.22). A palavra “Jaboque” é, em hebraico, “yabboq”, que significa “brotar”. Naquele local, a causa das desventuras de Jacó brotou, tornou-se manifesta, o que facilitou sua libertação desse mal. Lá, Jacó teve seu pecado perdoado, assumiu o sacrifício do cordeiro pascal e foi liberto da morte, já que seu irmão Esaú intentava matá-lo.

Além disso, cabe observar que a palavra “yabboq” vem de “baqaq”, que significa “luta” ou “vazio”. Ou seja, nesse momento de luta, Jacó esvaziou-se de toda sua vaidade e arrogância, e assumiu forma de servo, permitindo que Deus nele fizesse morada, como na passagem de Filipenses 2.5-8, que diz: “Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” Ao esvaziar-se na luta, Jacó jogou fora o velho homem e entregou a Deus uma nova vida, agora imaculada como o cordeiro da Páscoa.

Por fim, voltamos ao versículo de Êxodo 12.21, quando Moisés afirma que cada família deveria “imolar a páscoa”. A palavra “imolar” é, em hebraico, “shachat”, cuja raiz “shach” significa “jogar no poço”. Um dos filhos de Jacó, José, foi jogado no poço por seus próprios irmãos. Ele foi lançado à morte pelos seus próprios parentes. Mas aprouve a Deus livrá-lo da morte, assim como aconteceu com nosso Senhor, nosso Cordeiro, que foi entregue à morte, mas trazido de volta à vida pelo poder de Deus.

Todo aquele que invocar o sangue do Cordeiro da Páscoa, poderoso para tirar o pecado do mundo, será livre da morte assim como o foram aqueles que, no Egito, obedeceram à ordem divina e tomaram posse da salvação pelo sangue do Cordeiro.

:: Daniel Lopez

Bacharel em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo. Jornalista e doutorando em Linguística na Universidade Federal Fluminense (UFF). É também professor universitário, tradutor e diretor do programa e ministério Desvendando o Original.www.desvendandooriginal.blogspot.com

Colaborador do portal Lagoinha.com